quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Caixeiras do Divino - Devoção ao Divino Espírito Santo

Festa maranhense se difere das demais por dar destaque às mulheres e ser celebrada nos terreiros


Caixeiras do Divino
Fé no Divino Espírito Santo. As Caixeiras do Divino, de Itapecuru Mirim (MA), chegam a Vila de São Jorge para compartilhar suas crenças, músicas e festejos. No Maranhão, a festa em homenagem ao Divino começou no início do século XVII, com a vinda dos colonos portugueses para o Brasil. Em meados do século XIX, o festejo já fazia parte da cultura local, ganhando adeptos principalmente nas camadas mais pobres da população.
As caixeiras vão a frente dos rituais, tocando suas caixas feitas de tambores feitos com troncos escavados e cobertos com pele de cabra. Elas são as sacerdotisas do culto festivo para o Espírito Santo nos terreiros das religiões afro-descendentes. Diferente de outras festas do Divino, esta ocorre nas casas de culto e terreiros de  umbanda, também chamados de tambor de mina.
Em várias regiões do Maranhão, a festa do Divino Espírito Santo é estreitamente ligada às mulheres, o que diferencia essa manifestação das demais que ocorrem no resto do país. Nessa região, todo o ritual gira em torno de um grupo de crianças, denominado de império. Essa crianças são vestidas com trajes nobres, sendo tratadas com todas as regalias durante o festejo. São determinados o imperador, a imperatriz e logo abaixo o mordomo e mordoma-régia. Ao final  da festa do Divino, imperador e imperatriz passam suas vestes e seus cargos aos mordomos, garantindo assim a continuidade da tradição. Nos salões das casas de culto são feitas decorações que representam um grande palácio, onde, durante toda a festa, se desenrolam as várias cerimônias que juntas, constituem um complexo ritual de louvor.
Uma das explicações para a festa do Divino ser comemorada também nos terreiros de umbanda, deve-se ao fato dos povos de origem africana terem aceitado elementos europeus em sua cultura para conseguir uma maior aceitação social. A pomba branca, figura que representa o Divino na bandeira, pode ter sido associada ao pássaro que representa o limite entre a vida e a morte em certas culturas afros.
As Caixeiras do Divino apresentam-se no palco do X Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, realizado na última quinzena de julho, em São Jorge.

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